Casa em SP terá cuidados paliativos gratuitos para crianças

Folha de S. Paulo

São Paulo ganha amanhã o primeiro hospice infantil, uma casa onde crianças com câncer incurável possam passar suas últimas semanas ou meses de vida com todo suporte médico de que precisam e ao lado da família.

Casal cujo filho morreu de câncer aos 11 ajuda a criar casa de cuidado paliativo para crianças

Todos os anos, o câncer mata cerca de 2.700 crianças no Brasil. As chances de cura chegam a 80% nos melhores centros. Para os 20% que vão morrer, é preciso oferecer cuidados paliativos específicos.

A ideia é sejam atendidas no hospice crianças sem chance de cura que não precisam mais estar dentro de um hospital, mas que também não têm condições de um melhor cuidado em casa.

"Temos casos de crianças em estado terminal morando em áreas muito carentes, dividindo quarto com mais cinco pessoas", diz o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, idealizador do hospice.

A 200 metros do Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, zona leste, a unidade teve investimentos privados de R$ 2,8 milhões e é ligada à Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer).

Cerca de metade do valor foi doada pelo empresário Waldir Beira Júnior, do grupo Ypê, fabricante de produtos de limpeza. O hospice leva o nome do filho de Beira, Francesco Leonardo, que morreu de câncer em 2011.

O atendimento será gratuito, com assistência multidisciplinar prestada pela mesma equipe do serviço de oncologia pediátrica do Santa Marcelina.

"É importante manter esse elo entre a equipe, a criança e a família", diz Epelman, presidente da Tucca. De início, serão três suítes para a criança ou adolescente ficar com os pais 24 horas por dia.

"Nossa meta é que ela tenha uma morte digna, e, enquanto tem vida, transformar esse momento no melhor possível."

Não haverá limite de tempo de hospedagem. No local, há área de lazer, refeitório e posto de enfermagem. A unidade também oferecerá suporte psicológico para ajudar a família a lidar com o luto.

O objetivo é que a iniciativa seja replicada em outros locais. "É difícil falar em morte, ainda mais em morte de criança. Ninguém quer fazer esse enfrentamento."

(Cláudia Collucci, Folha de S. Paulo, Equilíbrio e Saúde, 30.set.2013)