Federico Barocci, Presépio, 1598.

A luz do Filho

O Cartaz de Natal proposto por CL é um manifesto anual com um texto de meditação, acompanhado de uma imagem artística. Uma ajuda a reconhecer a verdade através do belo
Giuseppe Frangi

Quando Federico Barocci pintou a Natividade “noturna” para o duque da cidade de Urbino, Francesco Maria II, o sucesso foi imediato, tanto que no ano seguinte, em 1598, os responsáveis pelas obras da Catedral de Milão lhe encomendaram uma réplica. Até pouco tempo atrás se pensava que o artista tivesse encarregado a execução do trabalho ao seu colaborador Alessandro Vitali, que também o teria ajudado na produção do outro quadro pintado para a Catedral de Milão, com a imagem de Santo Ambrósio que perdoa Teodosio (hoje no último altar da nave esquerda da igreja). Estudos recentes esclareceram que também neste caso o autor é o próprio Barocci. A primeira Natividade foi dada de presente a Margherita da Áustria, mulher do imperador Filippo III da Espanha, e hoje está guardada no Museu do Prado. A versão milanesa, por meio do cardeal Federico Borromeo, foi parar na Pinacoteca Ambrosiana, hoje exposta junto com a grande imagem de Raffaello, nativo de Urbino como Barocci.

Como explicar a grande popularidade de um quadro como este? Primeiramente pelo delicadíssimo e inquieto noturno, no qual o Menino coincide com a fonte luminosa. Nossa Senhora é como se estivesse sendo “acesa” pela luz do filho, uma luz que faz florescer as cores mutantes da sua roupa. Uma perfeita linha diagonal mantém ligada essa composição que introduz novidades bastante ousadas; é a diagonal que parte do rosto do Menino, passa pelo de Maria e que pousa na parte de trás da tela até José, que com um gesto cheio de orgulho indica Jesus ao pastor que se aproxima curiosamente da porta da cabana. Existe uma grande sensação de intimidade, evidenciada pela atenção aos particulares à esquerda, que remetem com delicado realismo à pobreza do cenário rural: é muito bonito, por exemplo, a imagem da treliça para feno acima da manjedoura.

Barocci é um artista que vive em uma época de transição extraordinária. Caravaggio já havia levado a sua revolução, o barroco está às portas. Ele parece capturar as novidades mais recentes, e sabe como administrá-las com sua habilidade e sensibilidade. Por exemplo, adota a solução, ousada e muito surpreendente, de descentralizar o Menino confinando-o na borda direita da imagem, mas é a doçura suave da pintura a agir como um aglutinante e tornar imediatamente compreensíveis também estes aspectos de novidade.


O Cartaz:
O encontro com Cristo, o deixar-se conquistar e guiar pelo seu amor, alarga o horizonte da existência, dá-lhe uma esperança firme que não desilude. A fé não é um refúgio para pessoas sem coragem, mas a dilatação da vida. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma de uma presença que o acompanha.
Papa Francisco

O cristianismo é o vínculo que Cristo estabelece com você, não que você estabelece com Cristo. Pode ser que você não O tenha olhado no rosto até um minuto atrás, e Ele estabelece um vínculo com você; pode ser que você não O olhe no rosto por mais trinta anos, e daqui a trinta anos Ele estabelece um vínculo com você. A decisão pela existência é o sim que você diz ao vínculo que Cristo tem com você, como homem, como homem ferido, ferido de morte. O eu se torna protagonista quando sabe pelo que vive, quando reconhece o seu destino, à espera do qual, de um lado, você batia os pés na entrada, entre o frio e o gelo, e de outro, pressentia o calor que emanava de dentro da casa.
Luigi Giussani