Riqueza oculta

No Rio de Janeiro, área de lazer abriga museu pouco conhecido pelos cariocas. O espaço cultural fica embaixo do Monumento Estácio de Sá, a famosa “pirâmide” do Parque do Flamengo
Caroline Baptista

Quem frequenta o Parque do Flamengo uma grande área de lazer que se estende do Centro a zona sul do Rio, conta com outras atrações além das quadras esportivas e da bela paisagem da Baía de Guanabara. Para quem não sabe, no subsolo do monumento, que muitos chamam de pirâmide devido à sua forma, funciona um museu desde 2010.

O Monumento Estácio de Sá foi construído em 1973 em homenagem ao fundador do Rio. A funcionária do museu, estudante de museologia Sabrina Lessa, revelou que a iniciativa da construção do monumento entre as Praias do Flamengo e de Botafogo surgiu a partir de uma música da época, que lamentava a ausência de uma referência na cidade ao seu fundador. "Em 1965 quando a cidade fez 400 anos, fizeram uma música chamada Estácio de Sá, dos compositores Aroldo Barbosa e Raul Mascarenhas, interpretada por Miltinho. Nela se alegava que tinha monumento, estátua de poeta, de tudo, menos do fundador da nossa cidade. E com essa pressão o prefeito da época abriu uma licitação para poder fazer um busto ou um monumento, então construíram esse monumento, tipo um obelisco, que ficou pronto em 1973 entre essas praias. A ponta do obelisco construído pelo arquiteto Lúcio Costa, se direciona à Urca, local da fundação do Rio".

O museu oferece uma visita guiada contando toda a história do Estácio de Sá, da fundação da cidade e do monumento. Todo mês apresenta uma exposição gratuita diferente aos visitantes. Agora, está em cartaz até o dia 31 de outubro, a mostra Ode aos Anjos. Penduradas em barbantes coloridos as 1650 fotografias tiradas de uma única árvore pelo chileno Alejandro Mahias, abrem espaço para a imaginação de quem as vê e se perde pelo caminho de fotos. O guia turístico Elias Oliveira falou um pouco sobre a exposição: "O Alejandro deu esse nome para a exposição por conta de uma frase que diz: os anjos gostam de ver os sons e ouvir as cores. Uma dimensão diferente da nossa, por isso ele fez um mistura tão legal de cores e levou alguns meses para fotografar uma árvore que ele chama de ‘minha árvore’. São 1650 fotos dessa arvore mostrando o talento dele de ver realmente aquilo que você está olhando, porque muitas vezes você olha e não vê. Ele consegue dentro de uma foto trazer lembranças que só estão dentro de você porque ao final das contas na foto só tem casca, mas a imagem está na sua cabeça, o romantismo, tua história, infância, coisas que você viu na televisão... E você acaba as enxergando dentro das fotos. Além da estética que é muito bonita nos trás essa coisa gostosa do lúdico".

A visita ao espaço cultural pode ser feita de terça a domingo, das 9 às 17h. No dia 9 de novembro começa uma nova exposição: Raízes do Rio. A mostra irá exibir fotos profissionais de alunos formados da faculdade Estácio de Sá.