Gaetano Previati, <em>Adoração dos Magos</em>, 1892. Milão, Pinacoteca de Brera. (Foto: Getty Images)

A estrada aberta pelos Magos

Algumas palavras para nos ajudar a entrar na imagem do Cartaz de Natal 2012 proposto pelo Movimento Comunhão e Libertação
Giuseppe Frangi

A escolha de composição tão livre e tão tocante é um dos segredos desta obra de Gaetano Previati, pintada em 1892 e conservada na Pinacoteca de Brera, em Milão. De fato, é um quadro que se desenvolve todo em largura, ainda que, paradoxalmente, o focus da cena esteja, na realidade, todo concentrado na metade esquerda. À direita, pelo contrário, o espaço está ocupado pelos grandes mantos dourados dos Magos e dos que, lá atrás, esperam para fazer as suas ofertas. O artista, com esta escolha, sugere uma ideia de dinamismo: é o dinamismo determinado pela atração por aquele Menino, que acendeu o coração dos Magos convencendo-os a percorrer um longo caminho. Agora eles estão inclinados, num gesto comovido, sobre o Menino. Não há neles vestígios de cansaço, há sim o sentimento pacificado de uma aproximação. Nas suas costas, num fulgor dourado que relembra o fulgor luminoso dos mosaicos antigos (onde as peças são as pinceladas da técnica divisionista), abre-se uma perspectiva insólita na iconografia tradicional da Adoração dos Magos. Domenico Tumiati escreveu, em 1901: “O que medem as suas túnicas, onde se revela a majestade do Oriente? O que nos conta o seu séquito, que se perde em cortes de camelos e de turbantes debaixo do céu?” Atrás dos Magos, de fato, há um imenso séquito, uma multidão de povo difusa em uma luz deslumbrante de um sol que não vemos; uma multidão evidentemente em caminho para a mesma meta, acesa pelo mesmo desejo. E assim percebe-se por que Previati escolheu alongar desta forma a sua composição: para nos dar a ideia de que a estrada dos Magos não era uma estrada exclusiva, mas uma estrada aberta e possível a todos os homens.