Vai para os conteúdos
Logo Tracce
Compartilhar no Facebook   Compartilhar no Twitter   Compartilhar no Linkedin   MySpace

MÚSICA

Amizade e arte geram beleza por meio de música

por Cezar dos Reis
26/3/2013
Uma das gravações de “Quadros de uma Exposição”.
Uma das gravações de “Quadros de uma Exposição”.

Viktor Hartmann foi um arquiteto e pintor de São Petersburgo, no século XIX. Mas o assunto central hoje não será sobre ele, mas por causa dele.
Ele faleceu aos 39 anos, em 4 de agosto de 1873, vítima de um aneurisma. Foi um dos primeiros artistas a incluir motivos tradicionais russos em seu trabalho. É de sua autoria também o monumento para o milésimo aniversário da Rússia, em Novgorod, inaugurado em 1862.

Após sua morte prematura, organizou-se uma exposição de mais de 400 quadros seus, realizada na Academia de Belas Artes de São Petersburgo em fevereiro e março de 1874. A notícia triste é que, por algum motivo, a maioria das obras apresentadas nessa exposição está perdida.

Anteriormente, porém, ele havia cultivado uma grande amizade com Modest Mussorgsky, compositor, também russo, que ficou sensibilizado, não só com a morte do amigo, mas também com a referida exposição de suas pinturas. Provavelmente essa sensibilização levou Mussorgsky a ter a ideia de prestar uma homenagem ao amigo. Escolheu então dez obras pintadas e construiu uma suíte musical, compondo uma melodia para cada obra.

"Promenade", a melodia de abertura é lindíssima; significa "Passeio". Quem a escuta não a esquece mais, pois é muito fácil de memorizar. E é a melodia que reaparece de várias formas entre uma peça e outra, como intervalo de narrativa entre um quadro e outro, trazendo sempre de volta a ideia de um verdadeiro passeio entre as obras da exposição. Por isso, essa obra de Mussorgsky ficou conhecida com o nome de “Quadros de uma Exposição”. O autor a compôs em partitura para piano. Atualmente, é uma obra cobiçada pelos pianistas eruditos, e existem várias gravações oficiais em CD.

Mas ela ficou mesmo mais evidente após a maravilhosa versão feita por Maurice Ravel, em 1922, quando, estudando a peça original, ele a reescreveu para os instrumentos da orquestra, gerando assim uma versão orquestral, tratando cada tema adequadamente, segundo sua interpretação, uma vez que não chegou a conhecer as intenções estéticas do autor.
A emoção gerada pelo solo que inicia a obra é retomada em outras vezes durante o desenrolar dos demais temas, principalmente em “La Grande Porte de Kiev" (O grande portão de Kiev), a 16ª e última parte.

"Quadros de uma Exposição" versão orquestral, é a sugestão de hoje. Existem várias gravações dessa obra. Algumas das mais expressivas são com a Concertgebown de Amsterdan, Filarmônica de Nova York, Sinfônica de Filadélfia, Filarmônica de Sttutgard, Filarmônica de Berlin. São apenas alguns exemplos. A preferência já é mais pessoal.
Quem estiver curioso pode também apreciar a versão original em piano.

Vale lembrar também que foi feita até a "versão rock" da obra, gravada ao vivo em 1971 pelo trio de Rock Progressivo Emerson, Lake & Palmer. Apesar de algumas alterações, adaptações e inclusão de texto, o evento não foi ruim, pois Keith Emerson já era na época um pianista de virtuosidade rara, e grande conhecimento em música erudita. Em 2002 esse disco foi relançado, porém contendo também a versão gravada em estúdio.

Portanto, estão aí várias opções para se conhecer, “Quadros de uma Exposição” , do russo Modest Mussogsky, obra que surgiu por causa do reconhecimento de uma relação de amizade verdadeira. Isso é beleza! Isso é divino!

Boa audição!

Outras notícias

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

Volta ao início da página