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ARTE

Apóstola dos Apóstolos

por Roberto Filippetti
20/7/2016 - Maria Madalena, cuja festa é celebrada dia 22 de julho, foi representada na arte por sua busca “pelo amor da minha alma” e o encontro com Jesus

Em pleno Jubileu da Misericórdia, a memória de Santa Maria Madalena é liturgicamente elevada à festa, ganhando um novo Prefácio: “de apostolorum apostola”. Ela, a primeira “enviada a” (“apóstolo” significa isto): enviada pelo Ressuscitado a dar a notícia aos onze, por sua vez, também enviados.

O recente decreto, promulgado “pela vontade expressa do Santo Padre”, é acompanhado de um texto explicativo onde se lê, entre outras coisas: “É certo que a tradição eclesial do Ocidente, sobretudo depois de São Gregório Magno, identifica na pessoa de Maria de Magdala, a mulher que derramou perfume na casa de Simão, o fariseu, e a irmã de Lázaro e Marta. Essa interpretação continuou e teve influência nos autores eclesiásticos ocidentais, na arte cristã e nos textos litúrgicos relativos à Santa”.

Dom Giussani imagina assim o primeiro encontro: “Madalena está ali, no caminho, curiosa... olhando a multidão que vai atrás daquele Jesus que se diz o Messias (o matariam alguns meses depois); e Jesus, passando por ali, sem sequer parar, olha para ela por um instante: a partir daí não olhará mais para si mesma, não verá mais a si mesma e não verá mais os homens, as pessoas, sua casa, Jerusalém, o mundo, a chuva, o sol, não poderá mais olhar todas essas coisas a não ser dentro do olhar daqueles olhos. Quando se olhava no espelho a sua fisionomia era dominada, determinada por aqueles olhos. Aqueles olhos estavam ali dentro – entendem? – o seu rosto era plasmado por eles” (Dal temperamento un método, Milão, 2002, pp 5-6).

Nesta tela de Caravaggio, ela está conversando com Marta: o blush, o penteado, as ricas vestes, o decote generoso. Tem a mão esquerda apoiada sobre o espelho e, com a direita, segura a flor de laranjeira: encontrou “o amor da minha alma”, ela que tinha se enfeitado para tantos homens sem nunca encontrar satisfação.

Dom Giussani continua: “Madalena viu toda a sua vida – nos particulares e no todo – dentro daquele olhar ao qual não se seguiu uma só palavra a não ser alguns dias depois quando ele, que se dizia profeta, foi convidado para jantar com os chefes dos fariseus que queriam pegá-lo numa falha. Ela entrou na sala de jantar sem pedir permissão a ninguém, sem hesitar, e se colocou a seus pés lavando-os com suas lágrimas e enxugando-os com seus cabelos, para escândalo de todos (‘Se fosse um profeta saberia que tipo de mulher é esta’)”.

Abaixo, representações de Giotto, na Basílica inferior de Assis, Capela da Madalena.





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© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

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