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OS FATOS

Os dois José

pela redação
9/6/2017 - A amizade entre o professor de religião e um aluno rebelde deixa uma semente. Que floresce vinte anos depois

“José, agora já chega. Vai dar uma volta”. O menino se levanta de seu lugar e com ar desafiador vai até a porta. Antes de sair, se vira em direção ao professor: “Professor, daqui há um mês eu me formo. O que você fará sem mim?”. “As laranjas amadurecem. Saia!”. Cinco anos assim. Brincadeiras e comentários sarcásticos sobre a aula de religião. Um pouco para se diferenciar dos seus colegas de turma, um pouco para tampar o que lhe corroía por dentro. O padre Genaro já tinha entendido, ainda que fosse verdade que em breve já não ouviria mais falar de José Catalano.
Passou-se um ano. No pátio do Instituto, um aluno para o sacerdote: “Professor, José sofreu um acidente. Está no hospital com a mandíbula quebrada”. O sacerdote conhece perfeitamente a este outro José. Um rapaz esperto, cheio de perguntas... exatamente o oposto do seu homônimo do ano anterior. “Obrigado. Onde ele está internado? Assim que eu possa, vou vê-lo”. “Traumatologia, terceiro andar”.

Naquela tarde, padre Genaro vai ao hospital. Assim que entra no quarto 212, tem uma surpresa. Não lhe falaram, mas é que com o mesmo nome, a mesma idade, a mesma sessão, quem estava internado era José, a “laranja que tinha que amadurecer”. O rapaz, como pode, sorri: “Estou feliz por vê-lo. O senhor é o único professor que veio me ver, que se lembrou de mim”. “E como eu poderia me esquecer?”. Fica com ele a tarde toda.
Passado o tempo, o padre Genaro vira pároco e para de lecionar. Vinte anos depois, numa noite de setembro, a secretária da paróquia chama ao pároco: “Um tal José acabou de ligar perguntando pelo senhor. Ele me pediu para que eu dissesse: ‘Estou lhe procurando há vinte anos’”. O tempo passado desde aquela visita no hospital. O sacerdote se coloca em contato com José e marcam um encontro para uns dias depois.
“Padre, finalmente o encontrei. Fui ao instituto perguntando pelo senhor, mas nada. Depois uma amiga me disse que o senhor era pároco aqui”. Padre Genaro responde: “Estou feliz de te ver depois de tanto tempo. Como está a tua vida?”. E José: “Eu me casei na Igreja tem seis anos, só porque a minha esposa queria poder comungar. Eu não me importava. No momento, não temos filhos. Sempre que posso, pratico esportes radicais. Já quebrei vários ossos. Inclusive a mandíbula, pela segunda vez”. Os dois riem juntos. Depois, Genaro pergunta: “Por que me procurastes por vinte anos?”.

O homem espera um instante antes de responder. “O senhor foi o único que sabia olhar e ver essa pequena chama que me queimava por dentro, que eu tentava apagar com brincadeiras e maldades”. Ao padre Genaro vem a lembrança daquele moleque desafiador que acreditava ter perdido para sempre. Agora, diante dele, estava um homem adulto. “Eu gostaria de receber a Primeira Comunhão e a Crisma”. O sacerdote responde: “Terás que frequentar a catequese paroquial para os adultos que desejam receber os sacramentos”. E José afirma: “Eu concordo”.
Em junho do ano seguinte, José recebe a primeira Comunhão e se Crisma. Seu padrinho, o padre Genaro.

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

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