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OS FATOS

Hong Kong. Aquela grande preferência

por Paola Ronconi
12/4/2017 - Da China a Taiwan, trinta e cinco pessoas se encontraram para três dias de convivência. O fio condutor? “Uma história de amizade”
Passeio das comunidades da China e Taiwan.
Passeio das comunidades da China e Taiwan.

Amizade. Para padre Donato Contuzzi, sacerdote da Fraternidade São Carlos, há cinquenta anos em missão no Taipé, é este o fruto que chama mais a atenção dos dias passados juntos. De 13 a 15 de janeiro um grupo de 35 pessoas se encontrou em Hong Kong, provenientes da China e de Taiwan. Mais da metade são estrangeiros (italianos, norte americanos...) que moram no Oriente por trabalho. Alguns são protestantes, um ou outro não é batizado.
Presentes, além de padre Donato, também outros dois sacerdotes da São Carlos em Taiwan (padre Paolo Costa e padre Emanuel Angiola) e alguns amigos da Itália. Laudes, missa, um passeio para aproveitar a vista do horizonte e do porto de Hong Kong. Na assembleia foram muitos os testemunhos, tendo como ponto de partida o texto de Carrón na peregrinação pelo Ano Jubilar e a palavra “misericórdia” que o Papa nos convidou a redescobrir.
Allegra Liao estuda na universidade católica Fujen, onde os padres ensinam italiano. Não é católica, não foi batizada, mas em Hong Kong contou sobre a caritativa que faz em Taipé, com outros estudantes: vão a um asilo para fazer companhia aos idosos. Todas as vezes se encontram com padre Donato e os outros e releem algumas páginas de O sentido da caritativa de Dom Giussani. “Minha mãe me dizia: Mas por que você passa o seu tempo com idosos desconhecidos ao invés de estar conosco?”. Ela não sabia o que responder, depois entendeu: “Vou à caritativa para aprender a querer bem de verdade à minha família”.
Graças à filha, que há anos tinha encontrado o Movimento na Irlanda, Ruth começou a fazer Escola de Comunidade em Taichung, cidadezinha no meio de Taiwan, com uma família italiana. E quando estes voltaram para a Itália, se perguntou: “O que faremos agora?”. Hoje, há cada duas semanas se reúne com um grupo de cristãos protestantes como ela e com padre Donato na sua casa. “Uma manhã eu estava rezando”, contou a um amigo, que voltou de Hong Kong, “e caiu entre as minhas mãos uma oração que estava dentro do livro de Ruth, da Bíblia. Dizia: ‘Senhor, por que me preferistes?’. Então, em Hong Kong revi a minha vida como uma grande preferência de Deus”.


Passeio durante a assembleia.

Carla, italiana que mora na China por trabalho com o marido e os filhos, depois de ter conhecido pessoas de CL, decidiu casar-se na Igreja: “Algumas vezes me pergunto: mas no que consiste de verdade a mudança da minha vida?”. Uma moça taiwanesa, Julie, entendeu que “o Senhor chegou até mim fazendo-me encontrar com homens que literalmente atravessaram o mundo para vir até mim”; um chinês, Chao Min, que não é batizado dizia: “Eu rezo e canto com vocês. Entendo dez por cento daquilo que dizem e que fazem, mas agradeço por esta companhia. Estou aqui porque eu quis, porque vocês quiseram, mas principalmente porque Deus o quis. Mesmo se não entendo bem, essa experiência de fé é algo que me dá mais”.

No sábado à noite chegou o padre Gianni Criveller, sacerdote missionário do Pime, que durante muitos anos esteve no Celeste Império. A missão, disse, “é uma história de amizade. É justamente por isso que o primeiro livro chinês escrito pelo jesuíta Matteo Ricci tem o título Da amizade. A Igreja na China necessita disto. Não somos super-homens, mas tudo em uma amizade cristã é positivo”.
Aqueles da China e de Taiwan formam comunidades de CL pequenas, então, “como se faz para ter mais consciência de que somos parte da Igreja?”, nos perguntávamos em Hong Kong. Talvez seja exatamente por isso que é útil “encontrar-se, mesmo que só por alguns dias, conhecer-se e testemunhar aquilo que se vive, para compreender que fomos tomados por uma história e colocados em uma mesma cultura”, disse padre Donato. “Que estas pessoas possam ver a mesma experiência vivida em lugares diferentes através de pessoas culturalmente vizinhas a elas, é um horizonte que se abre”.
Até três anos atrás, comunidades de CL da China e Taiwan participavam de um encontro de toda a Ásia, onde se falava inglês. Depois, se pensou em um momento só deles, onde se falava o chinês. “Vindo do paganismo do pós-Mao e da tradição confuciana, como em Taiwan, as pessoas aqui são muito práticas. Se uma coisa funciona e é eficaz tudo bem, do contrário, não”, observa padre Donato: “São pessoas que pedem provas de que este Deus possa realmente deixar a vida mais bonita. E é um desafio também para nós”.

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© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

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