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OS FATOS

Encurtando as distâncias

por Isabella Santana Alberto (org.)
25/4/2016 - Um grupo de Fraternidade se reúne virtualmente de diversos pontos do país para os encontros quinzenais. E por mensagens instantâneas no celular criaram um grupo com quem rezar e se acompanhar no dia-a-dia. Relembre esta experiência
Glorinha (à esq) e Adriana.
Glorinha (à esq) e Adriana.

A partir de uma “inveja boa”, ao ouvir o testemunho de Cleuza de São Paulo, em dezembro de 2010, contar sobre a amizade que vivia em seu grupo de Fraternidade, nasceu em Adriana de Belém, no Pará, e em Glorinha, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, o desejo de viverem esta mesma experiência entre elas. Não se conheciam há muito tempo, mas já experimentavam uma amizade e desejaram compartilhar este caminho da Fraternidade de Comunhão e Libertação. Para isso havia a distância de quatro mil quilômetros a ser superada, mas a tecnologia deu uma grande ajuda para romper esta aparente barreira. Adriana e Glorinha começaram a utilizar o Skype, um programa de computador que permite realizar chamadas gratuitas de voz e vídeo por meio da Internet, e a partir deste recurso criaram um grupo de Fraternidade virtual que se reúne desde janeiro de 2011. Nestes quase cinco anos de existência o grupo envolveu muitas pessoas, todas desejosas de participar desta experiência que percebiam ser bonita pela alegria que viam nas amigas. Alguns permaneceram e outros não continuaram, mas cada um deu sua contribuição e foi ajudado neste caminho.

Aos poucos as tecnologias evoluíram, as pessoas viajaram para se conhecer, e hoje, além do Skype, também contam com o WhatsApp para se comunicarem. Este é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para celulares. Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar imagens, vídeos, mensagens de áudio e até ligar gratuitamente desde que estejam conectados via Internet. As reuniões por Skype continuam, pois é o momento de se ajudarem no trabalho que o Movimento está indicando, e a utilização destas mensagens via celular acabou aproximando mais estas pessoas. Deste modo eles têm conseguido se acompanhar de maneira muito próxima no dia-a-dia, cada um em sua própria cidade. A seguir, alguns membros do grupo relatam como têm vivido esta experiência.

Nestes quase cinco anos de existência o grupo envolveu muitas pessoas, todas desejosas de participar desta experiência que percebiam ser bonita pela alegria que viam nas amigas. Alguns permaneceram e outros não continuaram, mas cada um deu uma contribuição e foi ajudado neste caminho. Aos poucos as tecnologias evoluíram, as pessoas viajaram para se conhecer, e hoje, além do Skype, também contam com o WhatsApp para se comunicarem. Este é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para celulares. Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar imagens, vídeos, mensagens de áudio e até ligar gratuitamente desde que estejam conectados via Internet.

As reuniões por Skype continuam, pois é o momento de se ajudarem no trabalho que o Movimento está indicando, e a utilização destas mensagens via celular acabou aproximando mais estas pessoas. Deste modo eles têm conseguido se acompanhar de maneira muito próxima no dia a dia cada um em sua própria cidade. A seguir os depoimentos de alguns membros do grupo de como têm vivido esta experiência.

“ESTE grupo nasceu do desejo de pessoas de pequenas comunidades que gostariam de viver a amizade da Fraternidade como uma ajuda pra vida. No começo, eu me perguntava como iríamos dividir nossas vidas com outros sendo todos de lugares tão distantes. Qual seria nossa obra nesse caminho? Começamos a nos reunir pelo Skype e tivemos momentos de muita riqueza, depois momentos de uma certa aridez, os encontros ficaram meio desencontrados, e por meio de uma proximidade com a Cecília, de Santos, retomamos o caminho. As provocações, perguntas, o desejo dela de viver esse caminho conosco nos provocou e de uma forma bem inusitada: pelo WhatsApp. A contribuição dela começou a nos mover e para respondermos às solicitações, começamos a colocar nossa própria experiência. Depois vieram as provocações por conta de problemas de saúde de alguns entre nós, e atendendo a essas provocações, ficamos cada vez mais próximos. Até que veio o desejo de olhar a beleza de perto e juntos conseguimos ver a beleza por meio das poesias do Nélio; das recitações de poesias de poetas famosos pela Bernadete, que cuidadosamente prepara a poesia gravando a mensagem com uma música de fundo; do Márcio com o seu poema visual, com fotos belamente feitas por um olhar que deseja o belo e que expressa através desta arte. A nossa caminhada tem sido feita dessas partilhas e também dos trechos de Dom Giussani que aparecem e são discutidos ou outros textos e fatos da realidade que são trazidos à luz para um juízo. De algum tempo pra cá, uma provocação do Márcio causou um impacto para esse grupo: a recitação do Angelus, que tem sido fielmente feita às 18 horas todos os dias. Escrevemos no WhatsApp as palavras da oração e juntos pedimos a Nossa Senhora por nossa unidade. Esta experiência do Angelus tem sido pra mim o momento de memória concreto, momento que é feito de rostos e de experiências, que nos provoca a juízos, a olhar a beleza e a aprofundar mais vida no olhar a Cristo. Esta experiência é vivida no WhatsApp, no Skype, tudo tecnológico, mas que não quero mais deixar de olhar e entender que é desta forma que podemos nos ajudar a viver a experiência de amizade que nos é proposta.”
Glorinha, São José do Rio Preto (SP)

“INTEGRO vários grupos do WhatsApp: uns dois grupos de jornalistas, uns de familiares; outros de lideranças comunitárias – estes, povoados por funcionários públicos, incluindo policiais e professores. Há evangélicos, espíritas e católicos. À exceção dos jornalistas, muitos postam mensagens de bom dia, boa noite, bom domingo. Não faltam citações bíblicas, orações, correntes espirituais e anúncios de que Jesus está na minha casa ou “no comando”. Apago a maioria dessas mensagens, pois raras me motivam. Mas sei que todos tiveram a intenção de louvar a Deus. No grupo “Fraternidade”, que integramos – de Belém a Santarém, chegando a São Paulo – não deixo de encontrar mensagens sobre nossa espiritualidade; já postei o Angelus, a Oração do Padre Grandmaison, o Magnificat. Uma maneira diferente de relacionamento enriquecido pelas dicas de conteúdo em links, sites; artigos e textos dos Exercícios da Fraternidade. Esses conteúdos suscitam uma pretensão: se é que estamos em busca de algo (se pretendemos), é certo que a socialização de informações e difusão do que nos preenche estimula um relacionamento de liberdade autêntica; uma experiência de fraternidade que fortalece minha fé em particular e consolida as amizades. Diria que nossos diálogos on line (notícias do cotidiano, boletins médicos, áudios, revelações, angústias, declamações de poemas de próprio punho e de terceiros, e até a modalidade da foto-poema) permitem a troca de informações primordiais sobre Igreja, Cristo, fé – não necessariamente nessa ordem. Elas nos aproximam, enfim. Quantas vezes já chorei nesse ombro eletrônico! Um exercício que rompe muitas vezes a barreira do individual, sendo permeado pela Presença de Cristo. E tudo o que a respeito d’Ele se fala, pode e deve ser dividido, socializado, experimentado – ensinam os Atos dos Apóstolos. Assim, a experiência na rede reforça o comprometimento com uma causa que supera a nossa vontade de estarmos juntos. O conteúdo acumulado em centenas de mensagens trocadas talvez rendesse uma coletânea – incluindo os áudios em CD. A essência dessa comunicação pode até dispensar almejados encontros, tão boa para nos inspirar tem sido; tão boa para nos motivar e não nos deixarmos cair na vala comum do cotidiano, na rotina que nos engolfa e muitas vezes nos afasta de Deus. Sem dúvida, essa tem sido uma experiência que me ajuda a obter “um coração simples”; que inspira “um coração magnânimo no doar-se; dócil à compaixão; fiel e generoso”. Sem dúvida, tudo que não deixa eu esquecer “nenhum bem” e evita o rancor de algum mal que eu sofra. É isso que fica para além do WhatsApp”.
Nélio, Belém (PA)

“A EXPERIÊNCIA de participar de uma comunidade virtual onde não divido rotina, mas compartilho minha alma tem sido exigente e consoladora. Exigente porque necessariamente olho sempre para mim mesma buscando o que de fato está em meu coração – o que me alegra, entristece, angustia, corresponde – sem que haja o olhar real do outro. Sou eu comigo mesma e com Deus. E, para mim, isso é ainda mais provocador. Mas também é uma experiência consoladora porque apesar de estar longe dos olhos tenho desejo ardente de vê-los e esperar, por exemplo, a oportunidade dos Exercícios Espirituais que ocorre todos os anos para que isso aconteça é o que alimenta minha esperança e alegria. É um exercício de perseverança que me fortalece e encoraja na fé de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa amizade tem me ajudado, principalmente, a olhar a minha família, meu trabalho, minha vida enfim, com a perspectiva do amor de Deus, com o quê, de fato, fundamenta a minha vida. E esse amor é tão contagiante que conseguimos reunir amigos que se encontram semanalmente para ficar juntos à luz desse amor com o carisma de Dom Giussani e, de forma “misteriosa” contagia outros que se aproximam para, por exemplo, numa sexta-feira fim de tarde, sentar na praça para ler poesias, a palavra de Deus, ouvir música e ser feliz de tal forma que atrai os que passam. Levando do virtual para o real essa possibilidade de vida em abundância”.
Bernadete, Santarém (PA)

“COMPARTILHAR a vida com meus fraternos tem sido uma bela e romântica aventura cotidiana. Porque poder encontrá-Lo, olhá-Lo e abraçá-Lo através dessa amizade pelo Skype e o WhatsApp tem me ajudado a encontrar, ver e viver com intensa, tensa e vibrante beleza todos os momentos aqui e agora. O medo já não é mais somente medo, na dor já não sinto somente dor. Tudo tem um sentido novo nessa companhia. E assim temos nos ajudado a enfrentar os desafios dessa aventura que se chama viver. Tudo porque ‘O Verbo se fez carne e habita entre nós’. Tenho que agradecer por cada dia, por tudo que acontece. Porque tudo que vivemos passa pelo caminho escolhido para que sua graça nos alcance e possamos reconhecê-Lo. Olhando o percurso que fizemos, posso reconhecê-Lo e nos reconhecer como membros do Corpo Místico e Misterioso de Cristo que é carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, vivo em nós aqui e agora. Não importa a distância que nos separa, não há distância que não se aproxime quando nosso desejo é genuíno. O método do acontecimento da encarnação é o mesmo para cada um de nós que dividimos essa experiência de fé, seja ela virtual ou não”.
Adriana, Belém (PA)

“A LIBERDADE que aprendemos de Dom Giussani permite esta criatividade de meios para a nossa Unidade. Por causa do Skype e do WhatsApp a distância física se torna nada e a experiência de “irmandade” com aqueles que não conhecemos pessoalmente é real, é realidade consistente do Corpo de Cristo através do carisma de CL. Diante da real possibilidade da morte, esta companhia me sustentou (e me sustenta ainda) com suas orações, seus carinhos, com seus exemplos partilhados com tanta simplicidade que me provocaram a olhar para mim mesma buscando onde/como o amor do Pai se manifesta na minha vida. Isto salva minha vida, hoje! Não houvera esta forma de encontrar a Companhia, estaria talvez perdida de tanta dor de um aparente abandono; ao invés, vou percebendo a necessidade vital do trabalho pessoal para que Aquele que dá sentido verdadeiro a minha vida esteja presente sempre, porque O desejo como Ele a mim. Bendito seja Deus por amar o homem verdadeiramente e permitir que ele criasse o Whatsapp e o Skype!!!!”
Cecília, Santos (SP)

“A EXPERIÊNCIA vivida em nossa Fraternidade já é inusitada pela forma como acontece, mais ainda o é para mim, que há alguns anos venho me dedicando ao estudo de contextos socioculturais configurados por novas tecnologias. Ao contrário do que comumente se vê, em nosso grupo não prevalece o impulso narcisista de ostentação nem a lógica do consumo do outro, mas um sincero desejo de se colocar com todo o seu eu na relação com os amigos. Nada fica de fora: dramas, angústias, limitações, alegrias, conforto, consolo, conselho, perguntas, piadas, brincadeiras, pedidos de socorro, orações, provocações (umas sérias, outras nem tanto), fotos, poesias, vozes, vídeos etc. Somos nós. É a liberdade e os dons de cada um. Tudo se joga numa relação de confiança recíproca. Para mim, meus fraternos são companheiros na caminhada rumo ao Destino, uma ajuda imprescindível no cotidiano, especialmente naqueles momentos que nos “quebram as pernas”. Essa Fraternidade é uma ajuda concreta para eu viver intensamente o real, pois é inevitável que nos distraiamos durante a jornada. No meu celular há um toque característico que lembra que eu não estou sozinho e, mesmo sem ver e/ ou responder as mensagens imediatamente, essa presença sonora – ou seria sonora presença? – dá-me a chance de despertar novamente para Aquele Outro que misteriosamente me (re)faz. Sinteticamente, posso dizer que toda essa experiência de encontro mediada tecnologicamente dá-me um sentido de pertença e move o meu eu na direção da realidade, necessária à minha educação na fé. Sem ambas, realidade e fé, Cristo se reduz a discurso ideológico. Como não ser grato a Dom Giussani por essa companhia? Pertenço a um povo e dou graças a Deus pelo nosso Movimento”.
Márcio, Belém (PA)

“A PARTIR do encontro que cada um fez com Cristo em determinado momento de sua vida, estava presente a necessidade de partilhar a vida, e assim surge nosso encontro de Fraternidade virtual, já que estamos fisicamente distantes, mas unidos por algo maior que nós e nos conduz. Encontramos- -nos a cada quinze dias por Skype e poder estar juntos é sempre uma grande alegria. Saio sempre com um novo olhar cheio de esperança de que vou dar conta de passar pelos dramas da vida e com a certeza de que não sou eu que conduz o que acontece, porque na correria do dia-a-dia esta é a tendência. Nos últimos tempos, apesar de me encontrar com meus fraternos e ler os textos, que servem de ajuda para a vida, achava o trabalho pesado, cansativo e muitas vezes sem sentido, assim como na minha relação familiar e com meu namorado. Mas ao mesmo tempo tinha o coração cheio de pedido de que o Senhor tomasse conta do que estava sentindo e que essa experiência tivesse sentido para mim. E o Senhor tem me dado as respostas quando cada um dos meus fraternos fala sobre suas vidas e suas palavras me enchem de alegria por saber que o Mistério não nos deixa sós e a cada dia nos acompanha e que na verdade sou eu com o meu pecado que não consigo enxergar a beleza daquilo que Ele nos oferece a cada dia. O método pelo qual o Mistério nos chama, muitas vezes pelas situações indesejadas, nos escancaram a uma consciência de nós mesmos. E a aventura que estou vivendo a cada dia é a de me dar conta do meu Eu e poder me lançar cada vez mais num mistério que “não sei aonde vai dar”, mas tendo a certeza que um Outro me conduz, através de uma companhia diária com meus fraternos no WhatsApp e no Skype”.
Lidiane, Belém (PA)

“CONFESSO que sempre tive muita resistência em aderir às redes sociais, mas incentivada pela família e pela constante insistência da Fraternidade de que eu deveria ter um WhatsApp para também partilhar com o grupo a nossa vida, além dos encontros quinzenais no Skype, acabei cedendo e me conectando a este mundo. Essa experiência dos fraternos partilharem com simplicidade como se deparam com as belezas da vida, com as alegrias, as preocupações, retomando reflexões da Santa Missa, trechos da Escola de Comunidade e rezando o Angelus diariamente, tem sido pra mim uma Presença viva de Cristo que me ajuda a estar atenta a como o Mistério conduz minha vida”.
Estela, Ribeirão Preto (SP)

“Eu TAMBÉM tenho uma resistência ao WhatsApp, e confesso que muitas coisas eu não leio tudo o que enviam. Às vezes olho à tarde e normalmente está cheio de mensagens, então rolo a tela e olho o que me chama a atenção. Fotos, trechos de Dom Giussani, poesias e fotos belíssimas, comentários do Evangelho... Está sendo uma experiência muito bonita e rica. E o melhor é que está aproximando o grupo, pois não conheço pessoalmente algumas pessoas e só as vejo nas reuniões pelo Skype. E depois tem a oração uns pelos outros. Para mim, rezar o Angelus às 18h é ver o rosto de Cristo no meio ou fim do dia cansativo e isto resgata o sentido do trabalho e da amizade que ele nos dá, tem um significado, um rosto. Está sendo um caminho bonito esta Fraternidade, e me faz lembrar da carta que Dom Giussani recebeu e que aparece no vídeo sobre ele: “Queria dizer que existo. Rezo por você e você lembre-se de mim. E que as coisas nunca terminem entre nós”. É o que eu desejo para nosso grupo”.
Marco, São José do Rio Preto (SP)

(Artigo publicado em Passos 174, Outubro 2015)

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