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OS PAPAS NA HISTÓRIA

URBANO VIII. A consagração da Basílica de São Pedro

por Eugenio Russomanno
5/11/2015 - Maffeo Barberini, pontífice florentino durante a Guerra dos Trinta anos e o processo a Galileu Galilei. Plasmou sua ação de acordo com os decretos tridentinos. E o seu amor pela magnificência revelou-se a chave de importantes obras em toda Roma
Urbano VIII, pintura de Pietro da Cortona.
Urbano VIII, pintura de Pietro da Cortona.

Uma queixa do cardeal Roberto Bellarmino nos introduz ao estado da Igreja daquele tempo: “Parece-me que, devendo-se criar um vigário de Deus, não se procure eleger pessoa que saiba a vontade de Deus, isto é que seja competente nas Escrituras Sagradas, mas somente que saiba a vontade de Justiniano e de semelhantes autores. Vai-se procurando um príncipe temporal, não um santo bispo, que se ocupe de verdade com a salvação das almas”.

Em tal contexto teve de atuar prudentemente Maffeo Barberini, eleito papa em 1623 com o nome de Urbano VIII. Nasceu em Florença no ano de 1568 de uma rica família de comerciantes e bem cedo entrou na carreira eclesiástica, com ótimos resultados. O Grande Dicionário Ilustrado dos Papas descreve-o assim: “Tendo caráter autoritário, profundamente consciente da responsabilidade de seu alto cargo (era um defensor convicto da suprema autoridade da Igreja), Urbano ocupou-se pessoalmente dos negócios da Igreja e raramente os discutiu com os cardeais. (...) Como conhecedor experiente da literatura e proprietário de uma esplêndida biblioteca, compôs e publicou versos latinos bem idealizados (foi apelidado por isto abelha ática, aludindo à abelha presente no brasão de armas de família). (…) Foi um imprudente nepotista: deu a púrpura cardinalícia a um irmão e a dois sobrinhos, favorecendo também outros irmãos e enriquecendo todos os familiares de modo tão exagerado que, quando velho vítima de remorsos, consultou uns teólogos sobre o uso que tinha feito das rendas papais”.

Do ponto de vista político, em sua ação, que coincidiu com a Guerra dos Trinta anos (1618-1648), o papa se esforçou para manter uma posição neutra entre os adversários, consciente de que o seu papel de pai comum da Cristandade o empenhava a intervir para o reestabelecimento da paz. De fato e nos fatos, porém, expressou toda a sua simpatia pela França, enquanto, no que concerne a Itália, conseguiu anexar ao Estado pontifício o Ducado de Urbino (1631).

Do ponto de vista religioso, modelou sua ação segundo os decretos tridentinos e realizou muitas e importantes iniciativas: impôs aos cardeais (aos quais deu título de “eminência”) e aos bispos a obrigação de residência, reformou o clero regular e secular e os seminários, fortaleceu a Inquisição, participou pessoalmente na revisão do breviário (1631), em 1625 estabeleceu e depois confirmou em 1634 os processos canônicos para as beatificações e as canonizações (no Ano Jubilar de 1625 houve a canonização de André Avellino e as beatificações de Giacomo da Marca, Francisco Borja, Isabel de Portugal, Feliz de Cantalice), editou a versão final da bula In coena Domini que era lida na Quinta-feira Santa, deu grande suporte às missões, especialmente enviando missionários ao Extremo Oriente, aprovou novas ordens religiosas; durante o seu pontificado João Bollando iniciou a monumental obra dos Acta Sanctorum, conhecida como Bolandistas.

Por Urbano VIII e pelo Sanctum Officium, Galileu Galilei (1564-1642) foi condenado pela segunda vez e obrigado, aos 22 de junho de 1633, a abjurar suas convicções científicas. Na bula In eminenti (1642) foi censurado o Augustinus de Cornélio Jansênio (1585-1638) e condenado assim o jansenismo.

No que diz respeito a Roma, cidade do papa, Urbano foi homem amante da magnificência (estamos em época barroca) e ótimo mecenas, por isto sob o seu pontificado a cidade foi embelezada por importantes obras: por exemplo, ele aos 18 de novembro de 1626 consagrou a nova Basílica de São Pedro, preocupou-se com a segurança da cidade e do estado pontifício, construiu Castelfranco ao norte de Roma, fortificou o porto de Civitavecchia, reforçou o Castelo de Sant’Ângelo, escolheu como residência de verão do papa Castel Gandolfo. Morreu em Roma aos 29 de julho de 1644.

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