Vai para os conteúdos
Logo Tracce
Compartilhar no Facebook   Compartilhar no Twitter   Compartilhar no Linkedin   MySpace

OS PAPAS NA HISTÓRIA

Sisto V. "O Papa de ferro"

por Eugênio Russomanno
2/7/2015 - Filho de um camponês da região das Marcas, Felice Peretti foi um Papa decidido, um homem de governo. Deve-se a ele a revisão da "Vulgata", testo oficial da Bíblia até 1979. Levou a termo os trabalhos para a Basílica de São Pedro
Sisto V em uma pintura de Filippo Bellini.
Sisto V em uma pintura de Filippo Bellini.

Filho de um camponês, Felice Peretti nasceu em Grottammare, na região das Marcas, dia 13 de dezembro de 1520. Entrou na Ordem Franciscana e depois de uma brilhante carreira estudantil foi ordenado sacerdote em 1547. Grande pregador foi levado a Roma, onde se tornou famoso pela beleza de suas pregações quaresmais. Em seguida, foi nomeado inquisidor de Veneza, vigário geral dos franciscanos, bispo de Santa Águeda dos Gotos (perto de Caserta), cardeal.

Eleito Papa em 24 de abril de 1585, foi apelidado, justamente, "o Papa de ferro". Com efeito, “Sisto, verdadeiro homem de governo, autoritário, decidido e inflexível, começou logo a restaurar a ordem no Estado pontifício usando enérgicas medidas repressivas. A seguir, ocupou-se com as reformas econômicas e financeiras. Cuidou de fixar os preços dos alimentos, drenar os pântanos, encorajar a agricultura e a fabricação da lã e da seda, melhorando de tal modo as condições dos seus súditos; conseguiu encher de forma quase espetacular os cofres papais deixados vazios por Gregório XIII. … Sisto acumulou no Castelo Sant’Ângelo, apesar das consideráveis despesas para as obras públicas, mais de quatro milhões de escudos, pela máxima parte em ouro; isso o tornou um dos mais ricos príncipes da Europa e lhe garantiu uma independência financeira sem precedentes”, escreve John Kelly.

O prestígio de Sisto deriva sobretudo de sua sólida reorganização da administração central da Igreja: com a Constituição Postquam verus fixou em setenta o número máximo dos cardeais, que nunca foi superado até a época de Papa João XXIII; deu uma nova estrutura à secretaria de Estado, com a criação de quinze congregações cardinalícias permanentes (este sistema permaneceu inalterado até o Concílio Vaticano II). Além disso, Sisto foi um fiel executor dos decretos e do espírito do Concílio de Trento; particularmente, em conformidade às deliberações do Concílio Tridentino, mandou instituir una comissão para a revisão da Vulgata. A esse propósito, dia 24 de junho de 1985, o Papa São João Paulo II, por ocasião do simpósio internacional sobre “A tradução Vulgata da Bíblia das origens aos nossos dias” celebrado em Grottammare, em comemoração ao IV centenário da eleição a sumo pontífice de Papa Sisto V, ilustre filho da terra das Marcas, escreveu: “O Papa Sisto V moldou a sua atividade pastoral ‘para que a palavra do Senhor se espalhe e seja glorificada’, atividade pastoral na qual se destacou como zeloso guardião do ‘depositum fidei’ e como incansável propagador da mensagem de salvação. Com efeito, logo após sua elevação à cátedra de Pedro, se dedicou com fervoroso cuidado a cumprir as diretrizes do Concílio de Trento acerca da revisão da versão bíblica de São Jerônimo: ‘Vulgata editio quam emendatissime imprimatur’ (Enchiridion Biblicum, n.63) …; e ficou como texto oficial para a Igreja latina até a publicação da constituição apostólica Scripturarum Thesaurus, com a qual eu tive a alegria de promulgar, em 1979, a edição típica da versão denominada neo-Vulgata”.
Sisto tinha pouca simpatia pelos jesuítas, já com os franciscanos foi generoso, declarando Doutor da Igreja o teólogo deles, o viterbês São Boaventura. No campo internacional, não teve muita sorte: substancialmente procurou manter uma política de equilíbrio entre as potências católicas. Fora da Europa promoveu o trabalho dos missionários no Japão, na China, nas Filipinas e na América Latina.

Foi um grande patrono da arquitetura e das ciências no espírito da renovação católica: Roma se tornou uma esplêndida cidade barroca, foi renovada a estrutura urbanística, foi reconstruído o palácio do Latrão, foi completada a basílica de São Pedro, foi construída uma nova e mais ampla biblioteca Vaticana e foi fundada a tipografia Vaticana. Morreu em Roma dia 27 de agosto de 1590.

Outras notícias

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

Volta ao início da página