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OS PAPAS NA HISTÓRIA

PAULO IV. Luzes e sombras do Papado renascentista

por Eugenio Russomanno
13/4/2015 - Lutou contra o protestantismo entre o amor à verdade radical e excessos de zelo. Mas pela dureza de seus métodos nunca conquistou a estima dos fiéis
Papa Paulo IV.
Papa Paulo IV.

Gian Pietro Carafa nasceu em Sant’Angelo a Scala, perto de Benevento, no ano de 1476 e morreu em Roma, no ano de 1559. Inquisidor tornou-se Papa em 1555. Intransigente defensor da Contrarreforma, ampliou os poderes da Inquisição e, em 1559, publicou o primeiro Índex dos livros proibidos (lista oficial de publicações julgadas contrárias à doutrina católica). Rígido também com os hebreus, impôs a instituição dos guetos em Roma e no Estado Pontifício.

Gian Pietro, que pertencia a uma família de barões napolitanos, foi educado em Roma, onde adquiriu o conhecimento da língua grega e da língua hebraica. Fez carreira na Igreja de modo muito rápido, seja por suas qualidades, seja pela autoridade de sua família.
Em 1254, junto com Caetano de Thiene (1480-1547), fundou a Ordem dos Teatinos: tratava-se de retornar à pobreza na Igreja, de repristinar o modo de viver apostólico e reformar a Igreja daquele tempo.

Em 1536, foi nomeado cardeal e, em 1549, tornou-se arcebispo de Nápoles, para tornar-se posteriormente, desde 1553, decano do sacro colégio. Quando foi eleito Papa dia 23 de maio de 1555, tinha setenta e nove anos, era admirado e era temido: sob o governo de Paulo IV, que pareceu querer sufocar toda forma de alegria serena, o jovial Felipe Neri, tão rico em humor, teve que sofrer por um certo tempo; Inácio de Loyola tivera duro embate com o cardeal Carafa e, quando este se tornou Papa, começou para ele um período difícil. O Franzen lembra que Inácio tremia na presença de Paulo IV.

“A eleição de Paulo foi saudada com alegria pelos partidários da Reforma, mas suas expectativas não se realizaram. Autocrático e passional, ainda ligado a um conceito medieval da supremacia do Papa, ele abandonou a neutralidade de seus predecessores” escreve John Kelly.

O Papado do Renascimento “já estava perdendo sempre mais de vista a tarefa universal para a qual era chamado e, seguindo os interesses particulares de seu estado pontifício, mostrava uma mesquinha política territorial, análoga àquela de outro pequeno estado qualquer… Nepotismo e política familiar tiveram longamente, neste período histórico, uma parte perturbadora… Sob esta má sina atuaram ainda Paulo III (1534-1549) e o fanático Papa reformista Paulo IV (1555-1559), que com sua política eclesiástica contra o imperador favoreceram não pouco a difusão da reforma luterana”, escreve August Franzen.

No campo da Reforma “o ascético e obstinado Papa” empenhou-se muito: toda a sua obra, antes e depois da sua eleição a pontífice, concentrou-se na luta contra a heresia e na reforma da Igreja. A retomada do Concílio de Trento, que fora interrompido aos 28 de abril de 1552, não foi por ele levada em consideração. Ele, ferrenho inimigo do protestantismo, se julgava em condições de levar a termo as reformas necessárias mesmo sozinho. Em 1556, instituiu uma especial comissão que, segundo os seus planos, devia ser um verdadeiro e autêntico concílio Papal.

Dedicou-se muito também ao fortalecimento da Inquisição romana: ampliou a jurisdição da mesma e colocou como chefe Michele Ghislieri, futuro Papa Pio V. Mas, a sua paixão pela ortodoxia era excessiva: mandou prender por heresia no Castelo Sant’Angelo um prelado irrepreensível como o cardeal Giovanni Morone e tirou do cardeal Reginaldo Pole o cargo de representante na Inglaterra, denunciando-o à Inquisição.

No que se refere ao relacionamento com os Hebreus, ele suspeitava que estes favorecessem de certo modo o protestantismo. Portanto ordenou a fogueira do Talmude em 1553 e, em 1555, com a bula Cum nimis absurdum impôs a instituição dos guetos.

O seu pontificado não realizou a renovação da Igreja da época, mas certamente deu alguns passos adiante: ele escolheu atentamente os cardeais, impôs aos bispos a obrigação de residência, excluiu dos mosteiros os clérigos regulares, mandou punir os monges que abandonavam as abadias, nomeou uma comissão para a reforma do missal e do breviário romano, promoveu a dignidade das celebrações sacras em Roma, reprimiu a imoralidade pública e a violência. Mas a dureza de seus métodos e a sua intolerância fizeram dele uma pessoa impopular. Quando morreu, o ódio do povo com ele e a sua família explodiu: a multidão revoltada destruiu a casa da Inquisição libertando os prisioneiros; a estatua de Paulo erguida sobre o Capitólio foi derrubada e mutilada.

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