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OS PAPAS NA HISTÓRIA

Sisto III – Rumo à unidade em nome de Maria

por Eugenio Russomanno
11/10/2011 - Damos continuidade à série que se dedica a alguns dos Papas mais significativos da história. Este nono texto conta a história de um homem que combateu as heresias. Para construir (até mesmo materialmente) a Igreja
A Basílica de Santa Maria Maior.
A Basílica de Santa Maria Maior.

Em primeiro lugar, Sisto III (432-440) teve o mérito de pacificar Cirilo de Alexandria e João de Antioquia, que, no Concílio de Éfeso (431), haviam se desencontrado por questões dogmáticas. Para entender, é preciso recordar que, naquele tempo, no debate cristológico, existiam duas célebres escolas: a escola teológica alexandrina, que acentuava sobretudo a natureza divina de Cristo, e a escola teológica antioquena que, pelo contrário, sublinhava a natureza humana de Jesus. Ao contraste de opiniões das duas escolas se seguiu, imediatamente, a rivalidade entre os dois patriarcas, Cirilo de Alexandria e Nestório de Constantinopla (João de Antioquia era seguidor deste último). Cirilo compilou e enviou 12 anátemas contra Nestório e Nestório, por sua vez, compilou e enviou 12 anti-anátemas contra Cirilo. Para resolver o conflito, o imperador bizantino Teodósio II e o imperador romano do Ocidente, Valentiniano II, convocaram um concílio, o terceiro concílio ecumênico de Éfeso (431). Talvez o fato mais impressionante do concílio de Éfeso tenha sido a proclamação de Maria com o título de theotòkos, “Mãe de Deus”, que Sisto III teve o mérito de fazer reconhecer tanto por Cirilo quanto por João. Em 433, particularmente, foi elaborado um “ato de união”, símbolo de fé compilado pelos antioquenos, mas aceito pelos alexandrinos: um sucesso que Sisto III atribuiu ao apóstolo Pedro, garantidor da verdadeira fé e atuando nele.
Em segundo lugar, Sisto III combateu o pelagianismo, doutrina criada pelo monge britânico Pelágio, homem austero e culto, que confiava demais na força da vontade e para a qual a graça não tinha quase papel algum. Segundo esta teoria, o homem não precisaria da graça para agir bem. Tudo, de forma definitiva, dependia exclusivamente da boa vontade. O maior e principal opositor do pelagianismo foi Agostinho, o “doutor da graça”. Sisto III rejeitou as súplicas do chefe dos pelagianos, Juliano de Eclano, que, deposto e exilado, solicitava o retorno para a sua sede.
Em terceiro lugar, Roma gozava de ótimas relações com o Oriente. Mas, acontece que Proclo, bispo de Constantinopla, tentou remover a península balcânica sudeste (Ilíria), com seus bispos, da tradicional dependência de Roma. Sisto, então, teve que advertir os bispos ilíricos e recordá-los de que o bispo de Tessalônica continuava sendo seu vigário na Ilíria oriental: o Papa pediu a Proclo, assim, que não recebesse bispos ilíricos que não possuíssem uma carta de apresentação do seu vigário de Tessalônica.
Finalmente, com a ajuda de grandes somas concedidas pela família imperial, Sisto III deu grande impulso à construção de edifícios eclesiásticos: particularmente, além da fundação do primeiro mosteiro romano, a suas duas maiores obras – o Batistério octogonal de Latrão e a Basílica de Santa Maria Maior – serviram para imortalizar algumas importantes conquistas do seu pontificado: “As inscrições no Batistério exaltavam a graça divina e a teologia do batismo, sublinhando assim a vitória sobre o pelagianismo, e os monges da Basílica celebravam o triunfo da Igreja sobre a heresia nestoriana”, observa o Grande Dicionário Ilustrado dos Papas de John Kelly. A festa de São Sisto III é celebrada no dia 28 de março.

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