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OS PAPAS NA HISTÓRIA

Adriano I – O presente do Rei Carlos Magno

por Eugenio Russomanno
20/3/2012 - Seguimos com a série sobre os papas mais importantes da história. Neste décimo nono texto, trataremos da vida do homem que defendeu a Igreja dos lombardos. Até aquele abraço na tumba de Pedro...
O encontro entre Carlos Magno e Adriano I.
O encontro entre Carlos Magno e Adriano I.

O pontificado de Adriano I (772-795) foi complexo, espelho fiel de “uma personalidade indiscutivelmente multiforme”, como foi a sua, e de um período histórico singular e importante.
Historicamente, o pontificado de Adriano se deu durante o período caracterizado pela afirmação do poder de Carlos Magno e pelo fim do secular poder lombardo sobre Roma e a Itália: a política da Igreja nas relações exteriores foi praticamente orientada pelo reforço do vínculo com o rei dos francos, patricius romanorum, e pela definitiva vitória sobre o reino lombardo na Itália.
Os acontecimentos envolvendo o pontificado de Adriano têm início como relacionamento controverso entre o Papa e Desidério, o último rei lombardo: Desidério estava tentado fazer uma aliança contra Carlos Magno (768-814) e conquistar o Papa Adriano I para a sua causa. Mas o Papa não queria aceitar os pedidos de aliança do rei lombardo, insistindo sobre o fato de que, antes, deveriam ser restituídos alguns territórios italianos para a Santa Sé. Desidério, por sua vez, não aceitou as pretensões do Papa, e marchou com suas tropas sobre Roma, retirando-se apenas quando o Pontífice ameaçou excomungá-lo. No ínterim, Adriano havia pedido ajuda, secretamente, a Carlos Magno, como protetor da Santa Sé. Carlos Magno, depois de ter reunido em Genebra os lendários Paladinos da França, para decidir a guerra, veio à Itália, cercou Pavia, capital do reino lombardo, e na Páscoa de 774 chegou de surpresa a Roma. Enquanto durou o cerco de Pavia, decidiu celebrar a Páscoa em Roma: Carlos, rodeado pelos Paladinos da França, fez a pé o último trecho de estrada até a Basílica de São Pedro, acolhido pelo Papa Adriano I com um grande abraço: “O Papa e o Rei dos francos juraram, sobre a tumba de Pedro, eterna fidelidade um ao outro”, escreve August Franzen. “Carlos assumiu, naquela ocasião, como patricius romanorum, a defesa militar de Roma. A partir de então, a defensio ecclesiae romanae coube, como missão nobilíssima, ao reino dos francos” (Franzen). Num primeiro momento, Carlos, com uma “Doação de Carlos Magno”, que se perdeu, acordou à soberania papal quase toda a Itália. Mas, depois da vitória sobre Desidério, tendo ele próprio se tornado “rei dos lombardos”, não manteve as promessas: as tratativas com o Papa duraram muito tempo, até 781, quando finalmente Carlos concedeu a Adriano I os territórios italianos prometidos. “Nascia assim, oficialmente, o Estado Pontifício”, segundo August Franzen. Terminava o secular reino lombardo na Itália:
Adriano é justamente considerado o segundo fundador do Estado Pontifício (o primeiro foi o seu predecessor, Papa Estevão II).
“Um lado não muito conhecido da sua personalidade foi a grandiosa obra de caridade”, escreve Antonio Borrelli. “Aproveitando as condições de paz asseguradas por Carlos, o Papa não apenas construiu, restaurou, decorou um número extraordinário de igrejas romanas, como também renovou os muros da cidade, reforçou as margens do Tevere e reconstruiu completamente quatro aquedutos. Dedicou grande atenção às diaconias, fundações monásticas para a assistência aos pobres, e empreendeu grande desenvolvimento das domus cultae, fazendas da Igreja espalhadas ao redor da cidade, que forneciam produtos para as obras de caridade ou para a manutenção das igrejas. Uma dessas grandes colônias agrícolas era capaz de nutrir cem pobres por dia” (John Kelly).
Carlos Magno, na morte do Papa (25 de dezembro de 795), entristeceu-se “como se tivesse perdido um irmão ou um de seus filhos”: mandou celebrar missas pela sua alma em todo o reino e enviou a Roma uma belíssima placa de mármore, ainda hoje considerada uma obra prima da arte carolíngia, sobre a qual estavam inscritos versos comoventes em honra do Papa Adriano.

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