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OS PAPAS NA HISTÓRIA

HONÓRIO III: O abraço às ordens mendicantes

por Eugenio Russomano
26/3/2013 - Continua a série sobre alguns dos mais significativos pontífices da História. Desta vez, a vida de um homem que defendeu a liberdade de ação da Igreja, não se submetendo nem mesmo ao imperador...
Giotto, ''O sermão diante de Honório III'', (Assis).
Giotto, ''O sermão diante de Honório III'', (Assis).

O romano Cencio Savelli – “modesto e amante da paz”, como o descreve o historiador John Kelly – foi eleito Papa com o nome de Honório em 18 de julho de 1216. O fato mais importante de seu pontificado é a Quinta Cruzada, anunciada por seu predecessor Inocêncio III, no IV Concílio Lateranense. Honório se mostrou como mediador político para organizar ampla participação na Cruzada por parte das nações europeias. Particularmente, recomendou a participação de Frederico, rei da Alemanha, de quem havia sido tutor; por esse mesmo motivo o coroou imperador na Basílica de São Pedro, em 22 de novembro de 1220.

Entretanto, Frederico se fazia de surdo aos apelos do Papa, tantas foram as vezes em que o Papa o chamou e tantas vezes o novo imperador adiou a sua participação na Cruzada. Na verdade, Frederico tinha outro objetivo em mente, objetivo esse que contrastava com a política papal e com as promessas feitas a Inocêncio III: a união entre o reino da Sicília (Itália meridional) e o império de forma a restabelecer o poder imperial na Itália.

Como já acontecera com Inocêncio III, tratava-se de um projeto não agradável nem ao Papa e nem à Igreja: “O que induziria Inocêncio III [e, portanto, Honório III] a atribuir tanta importância ao imperador alemão na Itália meridional? O problema não era apenas de ordem territorial, mas tinha a ver com toda a Igreja e, por isso, tinha importância universal. A união da Sicília ao reino alemão teria transformado o Papa num bispo subordinado ao império e Inocêncio [e, também Honório] teria, assim, perdido o poder frente ao império que lhe vinha exatamente de ser independente... Inocêncio sustentava, ao contrário, que o papado só poderia cumprir a sua missão universal se a independência e a soberania da Igreja lhe tivessem deixado a necessária liberdade de ação”, escreve o historiador August Franzen.

Por fim, a Quinta Cruzada (1217-1221) acabou mal, inclusive pela falta de participação do imperador Frederico II (1220-1250).

Honório não se ocupou apenas da Quinta Cruzada: promoveu atividades missionárias nos países bálticos; empreendeu uma Cruzada contra os mouros, na Espanha; intensificou aquela iniciada por Inocêncio III, contra os albigenses; agiu de modo a fazer publicar ordens que estabeleciam penas severas para os heréticos. Além disso, em 22 de dezembro de 1216, com a bula Religiosam vitam aprovou a ordem dominicana; em 29 de dezembro de 1223, com a bula Solet annuer aprovou a regra definitiva dos Franciscanos (depois de haver reconhecido, a pedido de São Francisco, a solenidade do Perdão de Assis); em 30 de janeiro de 1226, com a bula Ut vivendi normam aprovou a regra dos Carmelitas; promoveu, por fim, a fundação e o desenvolvimento dos movimentos leigos.

Hábil administrador, Honório III colaborou ativamente na compilação do Liber censuum, um recenseamento das instituições espirituais e seculares da Santa Sé e publicou a assim chamada Compilatio quinta (recordemos a Compilatio terceira, de Inocêncio III), um compêndio de suas cartas de decreto que enviou a todas as universidades, e que é considerado o primeiro livro oficial de Direito Canônico.

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