Vai para os conteúdos
Logo Tracce
Compartilhar no Facebook   Compartilhar no Twitter   Compartilhar no Linkedin   MySpace

OS FATOS

“Hospitais abertos” para curar a Síria

por Marinella Bandini
23/2/2017 - Foi apresentado ao Hospital Gemelli de Roma um projeto que envolve a ONG AVSI, a Fundação do Policlínico de Roma e a Santa Sé. “Um compromisso sem ‘se’ e sem ‘mas’”, para responder às necessidades de um país devastado
A apresentação do projeto ''Hospitais abertos'' em Roma
A apresentação do projeto ''Hospitais abertos'' em Roma

Na Síria, mais que a guerra, é a miséria que mata. Cerca de 80% da população não tem nem sequer a possibilidade de pagar os tratamentos primários, para não falar do acesso à comida e água, e da falta de eletricidade. A guerra siriana desapareceu totalmente das reportagens. O que veio reacender os refletores é o projeto humanitário “Hospitais abertos”, que nasceu da intuição e da “criatividade da caridade” do Núncio Apostólico na Síria, o Cardeal Mario Zenari, e desenvolvido pela ONG AVSI – que já havia começado uma iniciativa para manter esses hospitais nas suas Campanhas de apoio anuais –, com o envolvimento da Fundação Policlinico Universitario Agostino Gemelli como parceiro científico e sanitário, e a manutenção do Pontifício Conselho Cor Unum (agora incorporada no Ministério para o serviço do desenvolvimento humano integral).

O coração da iniciativa, apresentada no dia 16 de fevereiro no Policlinico Gemelli de Roma, é a manutenção de três hospitais católicos: o Saint Louis de Aleppo, o Hospital Italiano e o Hospital Francês, em Damasco. Uma manutenção que envolve a atribuição direta de fundos e também iniciativas de formação dos profissionais da área de saúde e da parte administrativa que opera estas estruturas.

O objetivo é fornecer prestações médicas gratuitas às pessoas mais vulneráveis, cobrir os custos das prestações hospitalares e ambulatoriais e levar a capacidade operativa dos hospitais dos atuais 20-30% aos 90-100%.

Os dados deixam pouco a imaginação: depois de 6 anos de guerra, 11,5 milhões de pessoas (das quais 40% são crianças) não têm acesso aos tratamentos, 58% dos hospitais estão fechados ou danificados (um relatório da ONU fala de 126 ataques a estruturas sanitárias só em 2016), o pessoal médico reduziu drasticamente (770 pessoas foram mortas pela guerra, sem contar a emigração). Faltam remédios, aparelhos, manutenção.

Um dado que nos faz pensar é sobre os mutilados: são 800 mil, o dobro do número daqueles que perderam a vida no conflito. E a eles “é preciso dar não só o atendimento imediato, mas também uma trajetória de assistência contínua”, explica Joseph Fares, chefe de medicina do Hospital Italiano de Damasco.

“Já levo o sangue de tantas pessoas sobre a minha púrpura”, dizia o Cardeal Zenari em um apelo durante a vigília de Natal. E daquela púrpura resultou a intenção do projeto. Por tratarem de estruturas “católicas” não significa que se exclua alguém: “Católico significa universal, então um hospital católico, por sua essência, está aberto a cada necessitado. Hoje vemos um país destruído, como também muitas pessoas “quebradas” no corpo e “quebradas” no espírito. É urgente reconstruir e reparar estas rupturas”. Do corpo e da alma.

No nível sanitário, “Hospitais abertos” se vale da contribuição da Fundação Gemelli. “Um compromisso sem ‘se’ e sem ‘mas’”, disse Giovanni Raimondi, presidente dessa Fundação: “Curar os doentes e ajudar às necessidades de assistência não é só uma obra de misericórdia mas uma maneira de fazer bem a nós mesmos, nos ajuda a fazer melhor o nosso trabalho aqui, a serviço de quem está mais próximo”. A Fundação cuida também da parte da formação e atualização do pessoal, seja no nível sanitário seja na gestão e administração.

Giampaolo Silvestri, secretário geral da AVSI, e Dom Giampietro Dal Toso, secretário delegado do Ministério para o serviço do desenvolvimento humano integral, que voltou há pouco de uma missão na área, falam de “esperança”: “Eu vejo neste projeto um sinal de esperança. Como Igreja Católica podemos abrir uma perspectiva em direção ao futuro”. Nos últimos dois anos, relatou: “o Vaticano, através dos seus organismos, ajudou outras 4 milhões de pessoas e investiu 560 milhões de dólares”.

O projeto “Hospitais Abertos”, de duração de três anos, necessita de quase dez milhões de dólares para o primeiro ano e de seis para cada um dos seguintes anos. Pode ser ajudado com uma doação através do site da Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli ou do site da Fundação AVSI.


Outras notícias

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

Volta ao início da página