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OS FATOS

"A força de um milagre"

por Alessandro Banfi
13/10/2015 - Sete mil pessoas, sábado 3/10, na Sala Nervi, no Vaticano, para o encontro do Banco Alimentar com o Papa Francisco. Um abraço recíproco, numa história que permite "educar-nos para a humanidade de cada pessoa, necessitada de tudo"
Papa Francisco após Audiência com o Banco Alimentar.
Papa Francisco após Audiência com o Banco Alimentar.

Tudo começou com um olhar, dois homens sentados frente a frente que se olham silenciosos. Dom Luigi Giussani e Danilo Fossati. Não acontecem palavras, mas só a intensidade de uma dupla visão recíproca. Como se fosse uma performance de Marina Abramovich. Mas aqui não é uma arte, mas um fato. Ou melhor, é a arte da vida, da Providência. Esses dois homens já são famosos quando se veem pela primeira vez: um suscitou Comunhão e Libertação; o outro construiu a Star, grande indústria alimentícia italiana.

Quando, no início da introdução para a audiência papal, Pier Alberto Bertazzi – testemunha, é o caso de dizer, ocular – evoca esse momento da história italiana diante dos sete mil presentes na Sala Paulo VI, no Vaticano, percebe-se que tudo o que se está contando e, de certo modo, celebrando aqui, vem diretamente daquele evento simples, em aparência pequeno, seguramente silencioso. Um fato muito intenso, não uma intenção, não um propósito. Um acontecimento de vida que se tornou uma história, parafraseando o título de um livro inesquecível.

Uma história que, no tempo e no espaço, tocou muita gente. E que continua a tocar mulheres e homens hoje, embora Fossati tenha nos deixado em 1995 e Dom Giussani, dez anos depois.

A Fundação Banco Alimentar teve a oportunidade de se encontrar com o Papa numa audiência, no sábado 3 de outubro, e assim aconteceu a extraordinária oportunidade de repassar, diante de muitos voluntários – e do Santo Padre – a natureza dessa "rede de caridade". E de se encontrar com o primeiro Papa na história que assumiu o nome do santo de Assis, o Papa da caridade e das periferias, mas também o Papa que mais do que qualquer outro denuncia, mesmo diante dos grandes da Terra, a maldade da "economia do desperdício". O Banco Alimentar recupera o descartado duas vezes: o do alimento, que é usado justamente para recuperar as pessoas "descartadas", ignoradas pelo sistema.

Muitos e belos foram os testemunhos que se sucederam no palco da sala Nervi, de onde, depois, falou Francisco: dos presos que aderem ao Dia Nacional da Coleta de Alimentos à história de Julian, um jovem alemão que foi estudante de Arquitetura em Veneza e que agora, todo ano, volta à Itália justamente para a Coleta. Os alpinos do "coroanaroma", dirigidos pelo maestro Osvaldo Guidotti, acompanharam, com seus cantos, a sessão matinal, sinal da aliança da Coleta do Banco, que se renova todo ano. Afetuosa foi também a adesão dos Bispos italianos, representados por dom Andrea Mazzoccato, Bispo de Údine, entusiasta do trabalho do Banco em Friuli-Venezia Giulia.

Dois elementos importantes dominaram a introdução: o vídeo e as leituras de histórias, graças ao ator Simone Bobini, tiradas do livro de Giorgio Paolucci "Se offrirai il tuo pane all´affamato"..., cujo primeiro exemplar foi presenteado ao Santo Padre. Um livro rico de histórias simples, ágil, mas profundo ao contar quanto bem se propaga com as doações, com o doar-se.

Cabe a Andrea Giussani, presidente da Fundação, ampliar a saudação ao Papa, citando os números essenciais (mais de 8 mil obras caritativas assistidas, um milhão e meio de pessoas ajudadas, 130 mil voluntários que participam todo ano da Coleta), mas sobretudo indo ao essencial: à presença de Cristo "que já acabou com a fronteira entre pobres e ricos, entre quem dá e quem recebe", ao "Destino que aproxima os que têm fome de nós todos, famintos de sentido da vida", à consciência de que o Banco "é uma tentativa: não poderíamos nunca acabar com a indigência, mas só atenuar alguns efeitos". Mas é uma tentativa baseada na "dimensão antropológica do dom", que possui "a força do contágio".

As palavras do Papa Francisco encerraram uma manhã extraordinária, evocando justamente aquele início, aquela amizade entre dois homens que desencadeou essa obra. Ele disse: "Nós não podemos fazer um milagre, como Jesus o fez; no entanto, podemos fazer alguma coisa frente à emergência da fome, algo humilde, e que tem também a força de um milagre. Antes de tudo, podemos educar-nos para a humanidade, reconhecendo a humanidade presente em cada pessoa, necessitada de tudo. Talvez pensasse justamente nisso Danilo Fossati, empresário do setor alimentício e fundador do Banco Alimentar, quando confidenciou a Dom Giussani o seu mal-estar frente à destruição de produtos ainda comestíveis, vendo quantos, na Itália, padeciam de fome. Dom Giussani ficou impressionado e disse: `Poucas vezes me aconteceu de encontrar um homem poderoso que escolheu dar sem pedir nada em troca e nunca conheci um homem que desse sem querer aparecer. O Banco foi obra dele. Jamais publicamente, sempre na ponta dos pés, ele seguiu a obra desde o surgimento dela´".

Quem doa de verdade não pede nada em troca, quem oferece o pão ao faminto não quer aparecer. Foi um apelo delicado e implícito do Papa. Será difícil não conservá-lo no coração no sábado 28 de novembro, no próximo Dia Nacional da Coleta de Alimentos na Itália. Bergoglio disse mais: "A vossa iniciativa, que comemora 25 anos, tem suas raízes no coração desses dois homens, que não ficaram indiferentes ao grito dos pobres. E compreenderam que algo precisava mudar na mentalidade das pessoas, que os muros do individualismo e do egoísmo precisavam ser abatidos. Continuem com confiança essa obra, pondo em prática a cultura do encontro e da partilha. Claro, a vossa contribuição pode parecer uma gota no oceano da necessidade, mas em realidade ela é preciosa! Junto com vocês, outros vão se mexer e isso engrossa o rio que alimenta a esperança de milhões de pessoas".

Uma gota útil, humilde e casta. Como é a água, para São Francisco.

> Leia as palavras do Santo Padre Francisco aos participantes do encontro do "Banco Alimentar"

> Visite o Site do Dia Nacional da Coleta de Alimentos, realizada também no Brasil em diversas cidades. Neste ano a data é 7 de novembro de 2015.

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© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

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