Vai para os conteúdos
Logo Tracce
Compartilhar no Facebook   Compartilhar no Twitter   Compartilhar no Linkedin   MySpace

OS FATOS

Aquele rio para atravessar e as famílias “inimigas”

por Paola Ronconi
27/2/2017 - Férias na Argentina

“Que quer dizer que ‘o outro é um bem para mim’? Que sem esse ‘outro’ você não poderia atravessar o rio”. Tafí del Valle, na serra de Tucuman, Argentina. Um grupo de jovens universitários de CL transcorre alguns dias de férias no início do ano. Um passeio preparado nos mínimos detalhes, a beleza da montanha para olhar. Na hora de voltar para o hotel, cai um temporal. Padre Julián de La Morena, o responsável de CL na América Latina, diz sempre que “um imprevisto é a única esperança”, mas a trilha em declive se transforma em riacho, o riacho em rio para atravessar. “Sem aqueles jovens argentinos recém-conhecidos, que se puseram a formar corrente ficando dentro da água até a coxa, não teríamos podido continuar o caminho”, diz Alejandro, que vem do Paraguai. Simples, mas claro. São uma centena, vêm da Argentina e Paraguai, na melhor das hipóteses gastaram 24 horas de ônibus para chegar a Tafí, os paraguaios 26.

Todos, no meio de um rio, têm necessidade do outro, mas “se o outro é antipático? Como posso dizer que é um bem para mim?”, assim eles se perguntaram. E como posso eu ser um bem para ele? Aprofundar este tema não foi difícil nos dias transcorridos em Tafí, sobretudo graças à manhã na qual Ram Krishan Singh Khalsa e Aníbal Guevara falaram de si: os pais deles viveram os anos do regime militar argentino. O pai de Ram, suspeito de ser simpatizante da associação armada dos Montoneros, acabou entre os desaparecidos; o de Anibal é um ex militar condenado à prisão perpétua. Duas famílias “inimigas”... Contaram seu percurso de dor e o momento de virada: o seu encontro, no qual ambos se deram conta de que só num caminho de diálogo e de perdão entre eles era possível superar o medo. Ram pratica a religião sikh, que abraçou exatamente para buscar aquela paz que a história de sua família lhe havia negado. Nem mesmo Aníbal é católico. Ambos ficaram marcados pelo encontro com as pessoas do movimento.

“Inicialmente os jovens escutavam esta história ‘a distância’, como se não os atingisse”, conta Padre Giorgio Assenza, sacerdote fidei donum da Diocese de Milano que atua na Argentina. “Durante anos aqui o silêncio cobriu aqueles fatos. As novas gerações são estranhas, imaginem os universitários do Paraguai! Em seguida, conforme os dois iam falando, todos começamos a entender: a experiência deles tinha a ver conosco, com as nossas jornadas. Cada um deve decidir se olha o outro como um inimigo ou como um bem”.

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

Volta ao início da página